09/03/2010

para o dia nascer feliz

“… recria tua vida,
sempre, sempre.
remove pedras
e planta roseiras
e faz doces.
Recomeça.”
(Cora Coralina

Por: Marta Porto às 13:17
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03/03/2010

espaços culturais

http://www.treehugger.com/adriana-varejo-gallery-inhotim-park.jpg

Desde o final do ano passado tenho visitado vários espaços dedicado às artes no Brasil. Minha proposta é ouvir a concepção do trabalho de cada um, sentir os espaços no seu dia a dia, fruir a programação e tentar entender a diversidade do que vem sendo feito nessa área. Estive em vários lugares no Brasil, na Espanha, na Colombia, na Argentina, Chile. No Museu da Língua Portuguesa (www.museudalinguaportuguesa.org.br) fui presenteada com uma conversa franca e aberta com o Sartini e renovei minhas ideias sobre política de atendimento e gestão de repertórios.  Em Inhotim (www.inhotim.org.br) reconheci a importância de se dedicar mais espaços para produção artística contemporânea de qualidade - a obra, o artista e seu processo criativo particular - respeitando a especificidade dessa fruição pelo espectador. Inhotim mostra um caminho e aponta para a necessidade de investirmos mais nesse território, onde há uma imensa qualidade artística e pouco investimento que garanta as boas condições de produção e a qualidade de fruição. Ontem fui a Maré conhecer o Centro de Artes, coordenado pela coreógrafa Lia Rodrigues, e os espaços da REDES da Maré (www.redesdamare.org.br), liderado pela Eliane de Souza e, na area de cultura, pela Sílvia Soter. Um trabalho sério e consistente que ajuda a desarticular a ideia de que arte e cultura promovidas em territórios comunitários devem ser guiadas pelos indicadores de violência e vulnerabilidade. Nada disso, afirmam as duas. Aula de dança e música, ou programação de qualidade devem ser oferecidas para todos. Outra coisa é profissionalizar em arte ou apoiar a criação de artistas. Cada coisa em seu lugar, e é nessa distinção e sobriedade que avançaremos.
Em setembro, em Belo Horizonte, teremos um grande encontro internacional para discutir espaços culturais da qual sou curadora. Será uma oportunidade de partirmos para uma discussão de tendências, ideias e olhares que possam promover experiências e vivências de significado para o artista, o criador, e o espectador.

Por: Marta Porto às 19:18
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28/02/2010

sábia mulher

“- Senhor - disse a esta altura Sherazade - , o dia me impede de passar à história do segundo calândar, mas se quiserdes ouvi-la amanhã, havereis de achá-la tão interessante quanto a primeira, ou talvez mais.
O sultão consentiu, e levantou-se para presidir o conselho.”

As mil e uma noites, 39. noite, p.136

Por: Marta Porto às 23:55
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O terremoto seguido de tsunami no Chile, atingiu a região que visitamos em janeiro e que postei fotos neste blog. É uma tragédia, com centenas de pessoas mortas, feridas e desabrigadas. Não foi pior, pois em todo o Chile há construções baixas e preparadas para abalos como esse.
E na Europa hoje - França, Espanha, Bélgica- dezenas de pessoas mortas, feridas e desaparecidas com uma tempestade. Haiti, com mais de 200 mil mortos, uma tragédia sem proporções que levou a destruição do país, ao desemprego e abandono generalizado de crianças, jovens e adultos. São Paulo 2010 abaixo de enchentes provocadas por chuvas fortes e intermitentes. O calor insurpotável desse verão.Santa Catarina, em 2009, com tufões e tempestades. São fenômenos naturais isolados ou estamos diante de uma orquestração da natureza que pode ser explicada pela ciência, para além da discussão sobre aquecimento global (com os parâmetros e índices corretos ou não)?

Por: Marta Porto às 23:15
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19/02/2010

viagens

Viajo sempre muito. As vezes demais e quase sempre a trabalho o que é uma forma de estar em outro lugar estando sempre no mesmo lugar. É engraçado, mas me deu esse insight quando retornei de férias do Chile com meus filhos. A trabalho, fui ao Chile algumas vezes. Santiago, Iquique, São Pedro do Atacama. Sempre rápido, com pessoas conhecidas, com tarefas. Nessa viagem, vi o Chile, as montanhas, os vulcões nevados, os bosques e lagos. Percorri durante 15 dias de avião e de carro um país maravilhoso, de gente educada, simples e orgulhosa do seu país. Fui a Huilo Huilo, uma região próxima a Patagônia, que eles chama de “bosques do fim do mundo”, onde o frio em pleno verão permitiu o snowboard e as brincadeiras na neve com minha filha pequena. Natureza esplendorosa, tempo lento, comida boa. Para chegar lá de Santiago, pega-se um vôo para Temuco (a cidade de Neruda) e mais um trajeto de 3 horas de carro por estradas boas e paisagens lindas. Esses bosques eram terras mapuches (aliás como quase todas essas terras chilenas) que ainda guardam seus nomes e tradições. Abaixo uma foto.

Fomos a Villarica, Pucon, Balmaceda, Ojos de Caburga, vilas pequenas, cidades médias. Desistimos da Patagonia, pois o cansaço da Luisa já era evidente. Mas, não importa. Senti fortemente essa sensação boa de que há formas mais serenas, mais lentas e próximas a natureza e a simplicidade do calor humano, que é o oxigênio para uma vida integrada ao que vale a pena. Viajar com meus filhos é sempre uma renovaçao de afeto, tecer fios de amizade e cuidado entre todos e com cada um.
Tirei muitas fotos dessa viagem, deixo algumas aqui.

Por: Marta Porto às 23:30
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11/02/2010

Acordei com o choro dos amigos, um deles se foi. De forma bárbara, com a garganta cortada por um estilete. Fred  iluminou por 23 anos os sonhos do Nós do Morro. Neste momento, a luz se apagou e só podemos pedir a Deus que olhe por nós.

Por: Marta Porto às 9:23
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04/02/2010

de volta

Para celebrar 2010:

“Quando você partir, em direção a Ítaca.
que sua jornada seja longa
repleta de aventuras, plena de conhecimento.

Não tema Laestrigones e Cíclopes
nem o furioso Poseidon;
você não irá encontrá-los durante o caminho,
se o pensamento estiver elevado, se a emoção
jamais abandonar seu corpo e seu espirito.
Laestrigones e Cíclopes, e o furioso Poseidon
não estarão em seu caminho
se você não carregá-los em sua alma,
se a sua alma não os colocar diante de seus passos.

Espero que sua estrada seja longa.
Que sejam muitas as manhãs de verão,
e que o prazer de ver os primeiros portos
traga uma alegria nunca vista.
Procura visitar os empórios de Fenícia
e recolha o que há de melhor.
Vá as cidades do Egito,
e aprenda com um povo que tem tanto a ensinar.

Não perca Ítaca de vista,
pois chegar lá é o seu destino.
Mas não apresse os seus passos;
é melhor que a jornada demore muitos anos

e seu barco só ancore na ilha
quando você já estiver enriquecido
com o que conheceu no caminho.

Não espere que Ítaca lhe dê mais riquezas.
Ítca já lhe deu uma bela viagem;
sem Ítca você jamais teria partido.
Ela já lhe deu tudo e nada mais pode lhe dar.

Se, no final, você achar que Ítaca é pobre,
não pense que ela lhe enganou.
Porque você tornou-se um sábio, e viveu uma vida
intensa, e este é o significado de Ítaca”.

Por: Marta Porto às 23:34
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26/11/2009

nada contra mas foi chato

Sou avessa a eventos sociais, entrega de premiações, vernissages, lançamento de livros de estranhos. Há anos acho que o melhor é ficar em casa conversando com os filhos, tomando um bom vinho, lendo um livro, recebendo os amigos. Sair, só ao cinema ou com amigos para jantar e festas de pequeno porte.
Ontem abri uma exceção para um amigo querido que estava envolvido na entrega do Prêmio Trip Transformadores já que conheço boa parte dos premiados. Fiquei realmente contente com a lista de quem recebeu o prêmio, a seleção foi séria e nada piegas, raro nesse mundo de prêmios “sociais”.

Então lá fui eu. Acertei o relógio pra chegar com 40 minutos de atraso, sentar calmamente e homenagear os amigos que merecem. O convite era enfático: início 20h, entrega da premiação pontualmente as 21h. Combinei com Lala Deheinzelin e as 21h40 estávamos ambas aterrisando no planeta Trip… e a festa rolava solta, com as celebridades se revezando nos microfones das televisões e os flashes cegando os incautos como eu. Pontualmente as 22h, auditório cheio, começou a cerimônia. Confesso que não identifiquei nenhum “transformador” de peso na platéia, além de claro os próprios premiados e a galera engajada da midia muderna . O início foi lindo, conheci a voz e o carisma de Inaicyra Falcão que junto com a Orquestra do Auditório nos brindou com um dos shows mais lindos que assisti nos últimos tempos. Somado ao cenário bacana e direção artística impecável de Marcello Dantas, acreditei por uns minutos que seria uma noite luminosa. Mas aí começaram os discursos. Revezamento de palco, entre os diversos integrantes da, claro, Revista Trip, e seus patrocinadores que, de novo, claro, tinham sempre algo mais importante e engraçado prá falar do que os próprios premiados. Primeiro falava o apresentador que chamava ao palco um Trip, que falava “como eu estou feliz de poder estar aqui” e outras pérolas típicas dos mudernos da comunicação e marketing “do bem”. Um vídeo documentário com o premiado era exibido. Hora de chamar ao palco a estrela da noite? Não! Volta ao apresentador que falava tudo aquilo que o video já tinha mostrado e mais uma vez (espantoso!) convidava, quem? O ‘Trip prá falar mais uma vez! Depois dessa pequena sessão de tortura ao bom senso, finalmente o premiado subia ao palco. Como ele não era a figura mais importante da noite, a pergunta feita era se ele “queria dizer alguma coisa”. José Carlos Meirelles, o famoso sertanista, e o primeiro a ser agraciado, sequer foi convidado a falar, recebeu flores e a escultura do prêmio e desapareceu no meio dos “trips e dos patrocinadores”. Fiquei constrangida.
No meio do show já estava com dor de estômago com tanta insensibilidade e narcisismo infantil. Juro que tenho tentado exercer meu lado mais compassivo, me contentando com as boas motivações que estão por trás de iniciativas como essa, mas a verdade é que o mundo realmente mudou e não dá prá sentir empatia por esse excesso de narcisismo marqueteiro que ainda sente necessidade de auto-proclamar como é bacana e antenado e sensível e… armar um palco prá confraternizar entre amigos, patrocinadores, lembrando 40 vezes como somos bacanas e “o prêmio trip… a equipe da trip… os patrocinadores da trip”, sem se INDIGNAR. É preciso mais gentileza, pelo menos timing, ou um roteiro mais leve já ajuda. Tentar disfarçar o indisfarçavel é pecado dos grandes.
Bom foi conhecer a Inaicyra, sua voz maravilhosa, o trabalho lindo da Vanete Almeida e do Lelê. Abraçar o Ladislau, o Claudio Prado, a Marika  Gidali. Ouvir por breves minutos a poética de Cristóvão Tezza, do Dando e do Sérgio Petrilli. Bato palmas para todos os premiados, no principal a Trip acertou. É pena que na hora de fazer valer essas escolhas, valeu o espiríto de homenagear a si mesma.

Por: Marta Porto às 11:04
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19/11/2009

igual a você

A campanha de cinco agências da ONU contra o estigma e preconceito realizadas pela XBrasil com a liderança do Daniel de Souza está repercutindo muito na sociedade e nos meios de comunicação. Filmada com pessoas comuns - refugiados, lésbicas, soro positivos, prostitutas e outros - a série de comerciais traz uma mensagem de força que busca a empatia com o outro: ” igual a você eu tenho sonhos, desejos, necessidades. Igual a você eu quero respeito”. É uma das campanhas mais lindas que a Xbrasil se envolveu e a equipe do Daniel está de parabéns! Abaixo o link para a entrevista com Pedro Cherquer, coordenador da Unaids no Brasil para a Globo News.

Por: Marta Porto às 12:05
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17/11/2009

afetos

Tenho tido momento mágicos nos encontros que participo Brasil afora. Aprendi muito sexta passada numa aula que dei na Uerj para professores e animadores que estão trabalhando em um projeto de núcleos culturais liderado pela Secretaria do Estado da Cultura. Foi uma troca rica entre pessoas que fazem a diferença nos locais onde atuam, que quebram barreiras e procuram o auto-desenvolvimento. Na maioria das vezes é uma pedreira promover arte nas escolas onde esses repertórios soam como ameaça ao trabalho tedioso e sob controle que encontramos por aí. Me comovo com essa energia, essa solidez de quem está na ponta, esmorece, mas não verga. Há muito tempo já me dei conta que o papel de quem não responde por instituições ou ideologias, partidos etc, é inspirar, mas do que “ensinar”. É promover pequenas experiências no processo de trocas dialogando e estimulando outros olhares, novas intuições, propondo suaves deslocamentos. E nesse lugar que tento me concentrar hoje em cada exposição, palestra, aula ou mesmo nas consultorias.  E isso tem me enriquecido muito, e acredito que aos outros também.

Tenho conhecido dezenas de pessoas que me tocam por que já leram um texto, um trecho, uma palavra lembrada que ecoou. Ontem confesso que dormi emocionada com os encontros que tive aqui em Vitoria, no Espírito Santo, onde estou para um belo seminario sobre juventude e cultura coordenado pela Secult, por duas pessoas queridas Dayse e Erlon. Jair de Souza com sua imensa generosidade, criatividade e imaginação para tornar visíveis, belas, palpáveis, visíveis ideias e sonhos. Michel Melamed, com toda a sua força inquieta, transgressora, atenta, inteligência viva. Jovens que não conhecia, antenados com todo o movimento da vida, do mundo, de si mesmos. Filosofando com Prof. Antonio Carlos Gomes da Costa que inspira até os corações mais duros. Belos encontros, celebrados sob o espírito do Amor grego: harmonia, humildade e humor. Uma busca eterna por esses hagás.

Por: Marta Porto às 19:55
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